Vocabulário de Metrologia Química – tradução de inglês para português

selecção de termos do jornal “Accreditation and Quality Assurance

 

 

 

Tabela I

 

 

Termos e definição em inglês

Termos e definição em português

Descrição

Exemplo

Error (of-result)

The test result minus the accepted reference value (of the characteristic)(1)

 

 

Erro (do resultado)

Diferença entre o resultado de um ensaio e o resultado aceite como referência (da propriedade avaliada).

O Erro é soma dos erros aletórios e sistemáticos. Se uma medição é repetida, cada resultado individual tem associado o seu próprio erro. Quando não é conhecido o valor de referência o erro do resultado transforma-se num conceito meramente idealizado.

O valor de referência aceite para um solo é 2,50µg kg-1. O valor da medição conduziu a 2,52µg kg-1.

O erro do resultado é

2,52 –2,50=0,02 µg kg-1.

Measurand

A quantity subjected to the measurement(1).

 

 

Determinando

Quantidade submetida a medição.

Na medição química, o determinando é, tipicamente, uma quantidade de substância e é medida em número de moles. O uso correcto do termos requer adicionalmente a especificação do analito. O determinado pode ser uma espécie química, um parâmetro caracteristico de um grupo, um conjunto de substâncias, ou uma propriedade da amostra. Exemplos: TOC, AOX, indice fenólico.

Uma operação analítica necessita de ser especificada em termos de determinando, analito e amostra. Seja, por exemplo, a operação de determinar a quantidade de substância, na forma de Pb2+, numa determinada amostra de um sedimento fluvial.

Bias

The difference between the expectation of the test results and an accepted reference value (1).

 

 

Tendência

Diferença entre a melhor estimativa dos resultados (espectativa) do ensaio e o valor aceite como referência.

A tendência é descrita pelo erro sistemático total. Pode haver uma ou mais componentes de erro sistemático a contribuir para a tendência. Quanto maior o afastamento sistemático do valor aceite como referência maior a tendência. Uma medida frequentemente utilizada para o valor esperado de um conjunto de resultados é a média. A tendência é, então, a diferença entre a média de um conjunto de resultados e o valor aceite como referência. Em química analítica esta diferença é frequentemente chamada de erro sistemático.

Um conjunto de resultados de medição de Cd2+ num material de referência certificado, por exemplo dum sedimento fluvial, conduziu a um valor médio de 3,50µg kg-1. O valor de referência aceite é 2,50µg kg-1. A tendência é calculada como sendo 3,50-2,50=1,00µg kg-1.

Limit of determination

The determination limit of an individual analytical procedure is the lowest amount of an analyte in a sample which can be determined as an exact value (analogous to limit of detection (unable to find an official definition)).

 

Limite de determinação

O limite de determinação de uma operação analítica é a menor quantidade de analito numa amostra que pode ser determinada com exactidão (análogo ao limite de detecção).

O limite de determinação expresso em termos de uma concentração, CL, ou uma quantidade, qL, é derivado do sinal mais baixo , xL, que pode ser avaliado por um dado procedimento analítico com uma certeza razoável. O valor de xL é dado pela equação:

xL=xb1+ksb1

onde xb, é a medida de ensaios em branco, sb, é o desvio padrão dos ensaios em branco e k é o factor numérico envolvido em função do nível de confiançã exigido. É geralmente aceite que o limite de determinação é 6sb1 ou 6 ´ a razão sinal/ruído. É por vezes também referido como limite de quantificação.

A determinação de Cs-137 em cogumelos na Baviera é feita com um detector de NaI (Tl) do tipo “well”. O resultado de 10 minutos de medição de fundo na risca gama a 662keVé xb1=60cpm. A estatística da contagem conduz a um desvio padrão de sb1=(60)½=7,75cpm. O limite de determinação expresso como 6sb1 (nível de probabilidade de 99,7%) é calculado a partir de:

xL=60+(6´7,75)=106,5cpm

 

 

Sensitivity

Change in the response of a measuring instrument divided by the corresponding change in the stimulus (2).

 

Sensibilidade

Variação da resposta de um instrumento de medição a dividir pela correspondente variação de estímulo.

 

A sensibilidade de um método analítico é igual ao declive da curva de calibração. Se a curva de calibração não é rectilínea, o valor da sensibilidade varia com a concentração do determinando. Se a sensibilidade é função da matriz, uma calibração simples com a substância pura é inadequada. Neste caso pode usar-se o método de adições de padrão, para uma avaliação mais rigorosa da concentração de analito. O uso do método de adições de padrão só é valido se a resposta do instrumento for relacionada linearmente com a concentração do determinado, dado que se procede a uma extrapolação linear. Apesar dos efeitos de matriz, o método de adições de padrão só deve ser aplicado para corrigir efeitos que se traduzem na alteração da sensibilidade.

Uma calibração por dois pontos para a determinação de Pb+2 em água por ICP-OES (Espectrometria óptica de emissão atómica com plasma ICP) dá os seguintes valores:

 

12,5µg L-1 ® 15,4 u.a.

23,5µg L-1 ® 19,5 u.a.

 

O declive é:

 


Esta é a sensibilidade da determinação de chumbo. Sempre que possível de recorrer-se  a uma calibração com maior número de pontos.

Limit of detection

The detection limit of an individual analytical procedure is the lowest amount of an analyte in a sample which can be detected but not necessarily quantified as an exact value (3)

 

 

 

 

Limite de Detecção

O limite de detecção de uma operação analítica é a menor quantidade de analito numa amostra que pode ser detectada nas não necessariamente com exactidão.

O limite de detecção, expresso em concentração, CL, ou como uma quantidade, qL, é derivado do sinal mais baixo, xL, que pode se detectar com uma razoável certeza, para um dado procedimento analítico. O valor xL é dado por xL=xb1+ksb1, onde xb1 é a média de ensaios em branco, sb1, é o desvio padrão de ensaios em branco e k é um factor numérico escolhido de acordo com o nível de confiança exigido. Para muitos fins, o limite de detecção é considerado 3sb1 ou 3´ a razão sinal/ruído.

A concentração de PCP num amostra ambiental é determinada por cromatografia em fase gasosa após adequada preparação da amostra. A linha de base sob o pico de PCP no cromatografo dá um valor integral de xb1=15753 u.a. (u.a. unidades arbitrárias) com um desvio padrão sb1=458 u.a. Admitindo uma distribuição normal dos resultados, o limite de detecção expresso como 3seb1 (probabilidade de 99,7%) é xL=15753+3´488=17127 u.a.

A sensibilidade do método foi determinada como sendo 0,4711 u.a./µg L-1. Assim sendo, o limite de detecção é 36,4 µg L-1.

Trueness

The closeness of agreement between the average value obtained from a large series of test results and an accepted reference value1.

(“accepted reference value” is assumed to be equivalent to “conventional true value”)(1).

Veracidade

A proximidade entre o valor médio obtido de um grande número de ensaios e um valor aceite como referência.

(“valor aceite como referência” é considerado equivalente a “valor verdadeiro convencional”)

Um resultado verdadeiro é idealmente um resultado sem erros sistemático, ou quando muito pequeno erro sistemático, independentemente da estatística da série de resultado. A veracidade completa é inatingível, por isso a veracidade analítica é uma veracidade dentro de algumas limitações. Estes limites podem ser apertados a concentrações elevadas e largos a nivel vestigiário (ver rigor..Exactidão). É importante notar a diferença entre rigor e veracidade. O rigor é a concordância entre um resultado unico de teste e o valor aceite como referência.

Considere-se os seguintes resultados de 10 medições independentes (expressos em unidades arbitrárias, u.a.)

2,15/ 2,18/ 2,07/ 2,15/ 2,08/ 2,17 / 2,14/ 2,10 /2,14/ 2,07

O valor médio deste conjunto de resultados é 2,125. Se o valor aceite for 2,35 a veracidade é dada por

2,35-2,125=0,225

O rigor do primeiro resultado é 2,35-2,15=0,20, o do segundo é 2,35-2,18=0,17 e assim respectivamente.

 

True value

Value which characterises a quantity perfectly defined in the condition which exist when that quantity is considered1.

Value consistent with the definition of a given particular quantity2.

 

1ISO 3534-1 (1993)

2International vocabulary of basic and general terms in metrology, 1993, (BIPM, IEC, IFCC, ISO, IUPAC, IUPAP, OIML); ISO central secretatiat, 1 rue de Varambé, CH-1211 Geneva 20.

Valor verdadeiro

Valor que caracteriza perfeitamente a quantidade definida nas condições que existem quando esta quantidade é considerada. Valor consitente com a definição de uma determinada quantidade.

O valor verdadeiro (de uma grandeza) é um conceito teórico que geralmente não é atingido com exactidão. É um valor um valor que seria obtido de um procedimento perfeito. Sendo ideiais, os valores verdadeiros são naturalmente indetermináveis.

O valor obtido para a concentração de chumbo em água é 3,2 mg L-1. Este foi o resultado baseado em valores de com medidas com diferentes técnicas. Se uma medição posterior sobre a mesma amostra conduzir a 3,5mg L-1, este não é um valor verdadeiro. No entanto, se o resultado desta medição for expresso com a correspondente incerteza associada, por exemplo 3,5(±0,5)mg L-1, então pode-se dizer que, é um valor verdadeiro, dentro dos limites de incerteza.

Conventional true value

Value attributed to a particular quantity and accepted, sometimes by convention, as having an uncertainty appropriate for a given purpose(2).

Valor Verdadeiro Convencional

Valor atribuido a um determinado, por vezes por convenção, e aceite como tendo uma incerteza adequada a um dado objectivo.

Um resultado  de um determinado obtido por vários métodos independentes em diferentes laboratórios especializados é considerado um valor verdadeiro convencional  (de uma quantidade, ainda que não seja o valor verdadeiro).

Um valor verdadeiro convencional é, regra geral, considerado como suficientemente próximo do valor verdadeiro. Sendo a diferença não significativa para um dado objectivo.

Um exemplo de um valor verdadeiro convencional é o valor declarado no certificado de um material de referência

 

 

 

Tabela II

 

 

Termo em inglês

Termo em portugês

Repeatability

Repetibilidade

Reproducibility

Reprodutibilidade

Traceability

Rastreabilidade

Trackability

?

Uncertainty of measurement

Incerteza de medição

Accuracy

Exactidão

Precision

Precisão

Validation

Validação

Refernce Material

Material de referência

Certified Reference Material

Material de referência certificado

Calibration

Calibração

Quality Assurance

Garantia da Qualidade

Quality Control

Controlo da Qualidade

Proficiency testing

Testes de aptidão

 

 

 

Referências:

 

1- ISO 3534-1 (1993)

2- International vocabulary of basic and general terms in metrology, 1993, (BIPM, IEC, IFCC, ISO, IUPAC, IUPAP, OIML); ISO central secretatiat, 1 rue de Varambé, CH-1211 Geneva 20.

3- Draft International Harmonisation of Pharmacopeias, Text on Validation of Analytical Procedures,Pharmaeuropa, 1993, 5 No. 4, 341.